terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

...: Sepulenda e outras Histórias do Rock no Maranhão :...


Se você gosta de rock e mora em qualquer canto deste país já deve estar por dentro do Metal Open Air Festival 2012. O evento que deve reunir monstros sagrados das guitarras como Grave Digger, Megadeath e Anthrax, está sendo aguardado com uma ansiedade doentia principalmente pelos headbangers da ilha, e com razão!
Quem está vindo para o festival diretamente das regiões Sul e Sudeste do país já está habituado  com mega produções desse porte , mas para nós, que já vimos o movimento passar por todo tipo de abstinência ,o  Metal Open Air 2012  será uma overdose histórica, daquelas de contar para os netinhos, isto é, caso reste algo de nós depois disso tudo!
Isso por que até alguns anos atrás, show de grandes bandas nacionais e internacionais eram uma loteria ingrata nessa cidade! Tínhamos que contar não só com o bom gosto dos poucos produtores daqui, mas torcer também por um local acessível, com uma boa estrutura de som, enfim,  detalhes totalmente imprevisíveis visto o amadorismo que reinava na época.
A indústria do entretenimento segmentado foi entendida como um negócio muito recentemente em São Luís: até então associar marcas e serviços a um show de metal era algo impensável. O  público pequeno e o próprio preconceito com o estilo  não despertavam investimentos e a coisa terminava  no improviso de quem ama o som mas necessariamente não entende de logística nenhuma.
Certo que para o underground a forma não importa tanto quanto o conteúdo: o que nós queríamos de fato era um show inesquecível com as músicas que marcaram nossas vidas, mas se nem a banda idolatrada dava as caras, era melhor o produtor esconder a sua.
                                                          foto:Portal Underground
Dentre tantos outros fiascos da cena rock local nenhum foi tão conturbado como o famoso "Sepulenda”. Por duas vezes a aclamada banda Sepultura teve seu show anunciado na capital maranhense: a primeira vez em 1999 e a  segunda  no ano de 2006, mas nas duas oportunidades o show foi cancelado.
Na mais recente, durante  o evento SEPULFEST , várias pessoas só foram informadas sobre o cancelamento no local onde seria a apresentação e o tumulto foi grande exigindo a retratação da produção e ressarcimento pelos ingressos comprados.
Curiosamente o mesmo produtor que esteve à frente dos fiascos citados acima, hoje encabeça o Metal Open Air 2012! Surpresos? Eu não.
Sei que são  poucas  pessoas no Maranhão que trabalham com esse tipo de entretenimento e admiro quem tenha ousadia suficiente para apostar em algo dessa magnitude envolvendo o bom e velho rock n roll.
Não vou julgar caráter, vou julgar profissionalismo nessa empreitada.E estarei lá, lógico!
Meu cartão de acesso e do meu namorado.

 Tem banda aí que nem nos meus sonhos eu poderia imaginar  ver um dia, ainda mais no meu aniversário. Tudo bem que ainda não vi ninguém do 80´s pós punk, dark wave, gothic  nessa seleção, mas  quem sabe?
Com bons parceiros investidores e dirigindo o setor de jornalismo de uma emissora na ilha, o produtor do finado Sepulfest e do embrionário Metal Open Air 2012, está com a faca e o queijo  nas mãos para fazer bonito.
Só espero que ele não derrape na logística nem na credibilidade:  vai ter soco - inglês com uma cara bem tupiniquim para cobrar respostas por esse Brasil todo! 


sábado, 29 de outubro de 2011

...: Dos Ancestrais ao Halloween: uma questão de Raízes :...


                                                   
Já ouvi dizer que para o povo africano, a morte de uma pessoa mais velha significa o mesmo que atear fogo em uma biblioteca: perdem-se com ela informações e experiências que poderiam acrescentar muito a vida de outras pessoas.
Eis um pensamento que respeito, sabe?
Aliás, o meu respeito para com os mais velhos estende-se aos mais antigos, ou melhor, aos nossos ancestrais. Além das heranças óbvias como o idioma, os costumes e as tradições, creio que uma grande contribuição de nossos antepassados está expressa nas lendas, essa forma milenar de descrever e explicar o mundo  através de relatos ricos em detalhes e com uma pitada de magia.
Nesse sentido, tenho que afirmar, a contragosto de ufanistas verde-amarelos que sou uma grande fã do Halloween. Digo isso por que antes mesmo de conhecer essa festa a fundo, já era encantada pelo universo místico que os Celtas criaram há tanto tempo através de seus rituais, capazes de integrar o calendário de países tão diversos como o Japão e o Brasil.


Sei que antropólogos, folcloristas e até esses defensores de plástico da identidade nacional devem surtar com esse meu modo de pensar, mas eu lhes pergunto: - Existe algum movimento advindo da ancestralidade  de nosso país que tenha  referência em escala global, atingindo do Oriente ao Ocidente, tal qual o Halloween? Apresentem-me! Eu desconheço!

Tudo bem que o nosso Carnaval tem cópia na Finlândia, o que é bem pitoresco também, mas trata-se de algo pontual, isto é, as pessoas não saem vendendo serpentinas mundo afora, e no conceito de ancestralidade, o carnaval nem é obra nossa, nasceu na Grécia, e, portanto não cabe nesta análise.
Galera caindo no samba em Helsinki, na Finlândia!

Certo que a Europa e mais precisamente, os E .U. A  sabem vender os seus produtos como ninguém, mas o segredo deles e do Halloween não é mero marketing.
A diferença é que por lá eles “vestem a camisa”, ou melhor, as fantasias! E fazem isso    como desculpa para a esbórnia ou para reviver na brincadeira pura e simples, uma crença de seus antepassados Celtas.
Claro que há alterações e inferências várias, até por que a cultura não é um membro engessado sem movimento, mas um braço no melhor estilo Carmem Miranda: com pulseiras de “ todas as cores” sacodindo de “todas as formas”.
Em nosso país fomos privilegiados  com milhares de elementos e manifestações belíssimas que sequer são ensinadas nas escolas e nossas crianças saem de lá sem referencia sólida acerca disso.

Há o Dia do Folclore como data comemorativa, mas ninguém sai pendurando Sacis nas portas de suas casas ou se veste de mula sem cabeça!
O que? Achou ridículo? E decorar o jardim com uma abóbora iluminada também não é?
Mas a partir do momento que eu sei que essa abóbora remete à lenda  Celta do Jack O’ Lantern e sua saga pelo Limbo, tudo ganha sentido e a  tradição se fortalece através dos tempos.
Nós também precisamos nos conhecer melhor culturalmente, as nossas lendas e mitos, a nossa identidade cultural construída aos trancos e barrancos das mil e uma colonizações.
É muito fácil arrotar amor à brasilidade com um baseado a tiracolo e uma cabeça fora da realidade, difícil é convencer a todos de que é necessário proteger a nossa memória  para que possamos formar uma sociedade consciente  do valor de suas raízes.
Küsse Amigos e ....


P.S: a foto lá do alto é de minha bizavó por parte de mãe, Dona Itelvina, quando jovem.Infelizmente ela já não está mais entre nós.

sábado, 22 de outubro de 2011

...: No Limite :...






Olho de cabra, cérebro de macaco,testículo de boi.... Tanta comidinha boa por aí e o Rafinha Bastos decidiu "comer" a Wanessa Camargo e o bebê dela! assim sem mais nem menos!
Poderia ter rendido somente uma indigestao passageira mas acabou virando processo movido pela herdeira sertaneja em defesa da honra de sua cria ainda em gestação.

A opinião pública anda dividida sobre o embate entre a cantora(?) e o humorista: há quem diga que a filhota do Zezé( e essa intimidade de o.b, gente?)tem toda razão em levar o caso à Justiça já que Rafinha levou primeiro para a sacanagem.

Porém a turma do ex- CQC também sai em defesa de seu porta voz e continua apoiando-o na web e fora dela fazendo Wanessa passar vexames como na última quinta-feira ( dia 20) durante o prêmio VMB na MTV.Enquanto tentava apresentar uma das categorias do premio ela teve que engolir um coro  que gritava:" - Rafinha! Rafinha! Rafinha!" direto da platéia, apenas para desconsertá-la.

A discussão aqui poderia meramente resurmir-se à uma página da Contigo! mas esse caso nos faz refletir sobre alguns fatos mais interessantes do que a reabilitação da Vera Ficher após mais uma internação para livrar-se das... do...do stress gente! do stress!

O que está movendo essa rusga toda é uma tal de liberdade de expressão, já ouviu falar?
Uma " mulher de bandido"da comunicação, daquela que apanha feio, ganha mordaça e punições dignas de estado de sitio, mas nunca toma jeito! Ela acaba atraída pelo fetiche da política, pela prostituição da corrupção e  acaba vivendo para sempre debaixo da porrada.

Desde que entrei para carreira jornalística sabia que ainda veria milhares de novelas com essa mesma protagonista.Sabe, tem muito humorista aí que deixa de abordar certos temas por que teme ser repreendido pelo público, pela censura( sim ela está aí!) e até pela produtora dele que o proibiu de fazer piadinhas sobre o deputado x ou o governador y  por que eles patrocinam o show.

Contudo eu já fui à um espetáculo em que o ator/comediante  criticou do idoso ao cadeirante e ainda riu da paralisia que tem em uma das mãos e que segundo ele, o impede de se masturbar direito !( kkkkkk)Entendem onde quero chegar?

 No Brasil, pais de família pagam por sexo com menores, pessoas subornam o guarda para não pagar multa ,testemunhas de crime são assassinadas friamente, tudo isso na surdina, mas quando alguém ironiza esses nossos podres, sai falso moralista  pelo buraco-do-rato-do-teto-do-vizinho para colocar as mãos na cintura e dizer;"- Assim não pode, assim não dá!", mas que no fundo estão fazendo ou acobertando as mesmas coisas!

Já perceberam que tudo o que é certo e bom para este país tem limite?
Verba para educação, investimento na saúde, modernização da segurança pública, enfim, tudo contadinho, e mesmo que seja um dinheirão, que possa mudar vidas, ainda precisa apelar para a sorte, para nao sofrer um desvio e acabar antes de começar.

Mas o que é danoso, o que é realmente inútil e dispensável está aí correndo solto, sem barreira nem quilometragem definida, gastando seus impostos em carros importados e matando inocentes na porta da sua casa.

Humor é coisa que tem limite neste país,assim como o jornalismo verdade, assim como Dorothy Stang  e tantos  outros ativistas: quem vai contra a maré acaba demitido,processado, morto!
Não estou dizendo que Wanessa não deva continuar com o processo já que sentiu-se ofendida e está gozando  de seu direito: Rafinha criou o primeiro caso de pedofilia intra uterina da história (KKKK) e agora vai ter que se retratar.

Isso tudo por que vocês já sabem: nesta terra, fazer piada com a morte do homossexual pode,rir da pobreza também, o que não pode é dar corda para a liberdade de expressão: ela fatalmente enforcará alguém.
-Empurrem agora meu banquinho então!
Francamente!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

...: Novos Poetas :...



Saudações Amigos!

Sei bem que este blog está cheirando a queijo gorgonzola de tão esquecido, mas pretendo dar um jeito nisso o mais breve possivel. A questao é que iniciei uma Pós Graduação agora e creio que a empolgação  me cegou para com as minhas funções bloguisticas (?)
Passei mesmo para contar a todos sobre uma novidade.
Recentemente enviei um poema meu para participar do  Concurso Nacional Novos Poetas - Premio Augusto dos Anjos, mas sequer andava acompanhando a divulgação do resultado.Para minha surpresa, entre os  2.587 inscritos,  o meu poema Exúvias Errantes, foi classificado \o/ !
Os  250 poemas escolhidos farão parte de uma antologia poetica que será publicada pela Editora Videira.Não vejo a hora de ter um dos exemplares nas minhas maos!

Segue abaixo o  meu poema premiado....
Abraços a todos =D


Exúvias Errantes
No mar de seus lamentos
Preferiu o afogamento
Escolhendo como profilaxia
A asfixia da vida
Buscou no veneno
Uma fuga afoita
Pendular movimento
Pendurada pela forca

Razão de tamanho sofrimento
Nunca se explicou
Um instinto suicida
O seu corpo habitou

Na hecatombe deste espírito
Uma eutanásia singular
Que viesse a execução
Com a Morte a galopar

Os prados da insanidade
Floresceram holocausto
Vestiu a pele do assassino
Imolou todo o fausto

No sacrifício de si mesmo
Não há limitação:
Fuzilamento
Roleta-Russa
Tardia empalação!

Desejo de todo os males
Compulsão fulminante
Pintai o teto da claustrofobia
Com a jugular coagulante
E no silêncio a perseguir
Ritualiza o haraquiri
Samurai sob delírio
Planeja a própria tortura
Degola, esquarteja...
Homicida que se avulta
Recebe na chacina
Tua condenação
Estrangula a carne
E os limites da razão

Derrame...
De sangue e de lágrimas
Derramo...
Versos escarlates
Na lâmina afiada
Exúvias* errantes,
Ao cárcere destinadas.
Nota: exúvia é o nome do exoesqueleto quitinoso de artrópodes deixado quando realizam uma muda.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

...: Por Conta e Risco :...



Em 08 de setembro de 2012, caso o mundo não acabe novamente*, São Luís irá comemorar 400 anos de história. Por todo esse tempo a ilha cresceu, se modificou, herdando do mundo e quiçá do espaço(?), sutis características...

Da Lua, São Luís têm as crateras.

Da Índia, o trânsito.

Dos paus - de – arara, veio o transporte público.

Da cara-de-pau, a inspiração de nossos “políticos”.

Do Inferno, esse calor.

Do abandono, o centro histórico.

Da tortura, as filas no Socorrão.

Das latrinas, nossas praias.

Do Tiête paulista, a Lagoa da Jansen.

Do Espiritismo, o nosso prefeito.

Da cultura, o Bumba Meu Boi.

Das estrelas, os poetas.

Da resistência, nosso povo.

Da genialidade, nossos artistas.

(...)

Já da língua solta,
Da pedra no sapato,
Da boca no trombone,
E da curiosidade,
Que não mata gatos com 7 vidas,
São Luís felizmente herdou:
Uns despudorados com a verdade
Uns ultrajados com o descalabro da cidade
Uns filhos-da-mãe por conta e risco
Uns poucos e bons,jornalistas.


P.S1: Ainda falta algum tempo, mas o Prefeito(?) da ilha já disparou desde março DESTE ANO(!) uma lista de eventos em homenagem ao 4° centenário da cidade...
A reflexão é adiantada: o que vamos comemorar?

BURACOS NO LUGAR DE RUAS?TRÂNSITO CAÓTICO? AEROPORTO CONDENADO? REFORMA PARAPLÉGICA DA BIBLIOTECA BENEDITO LEITE?COLEÇÃO DE ESGOTOS ESTOURADOS?PRAÇAS E MONUMENTOS ENTREGUES AO VANDALISMO?

Tenho uma listinha BEM básica para equipe organizadora dessa" farra do defunto”!
Sim! Por que se é para festejar algo, que se festeje com significado: uma cidade moribunda!

P.S 2: Um abraço especial a todos os colegas jornalistas da capital que não se rendem a corrente polianista de que São Luís – Vai muito bem, obrigado! E a todos que se mobilizam para denunciar as grandes mazelas que encobrem as verdadeiras belezas da ilha.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

...: Tiros em Realengo : Uma tragédia brasileira :...





Um jovem de 23 anos entra em uma escola e promove um verdadeiro massacre: mata 12 crianças, fere mais 17 e finalmente se mata com um tiro na cabeça. Cenas que o Oriente soprou para o resto do mundo como mais um atentado terrorista? Ou seria outra tragédia abatendo o povo americano em uma pacata manhã de quinta feira?


Lamentavelmente não despertamos hoje para nos compadecer e chocar com uma barbárie internacional: vimos com olhos atônitos a tv noticiar que esse banho de sangue aconteceu aqui mesmo no Brasil, em um fatídica escola municipal do Rio de Janeiro.


Falar do desespero dos pais, das mortes prematuras, da chacina e suas conseqüências imediatas é dar voltas em poças de óbvio quando na verdade o que precisa ser discutido são as possíveis raízes desta árvore de frutos podres.


O autor dos disparos na escola municipal de realengo identificado como Wellington Menezes de Oliveira era ex - aluno desta instituição. Seu comportamento foi descrito pelas pessoas que o conheciam como “introspectivo”, apesar de ser muito inteligente e aficionado por jogos e computadores. Parentes de Wellington informaram a Policia que ele era filho adotivo, mas que sua mãe biológica apresentava distúrbios mentais.


Dentre estes dados, nada parece capaz de depor contra a atitude desse jovem, exceto o fato da mãe biológica e parentes consangüíneos apresentarem histórico de demência e o próprio Wellington ter recebido acompanhamento psicológico na infância. Contudo, ao assistir os noticiários que contavam a cada instante o número de vítimas do atirador, uma fala da repórter chamou minha atenção: -Dentre as vítimas estão 10 meninas e apenas dois meninos.


Ficava claro, portanto que o assassino tinha um especial interesse em alvejar pessoas do sexo feminino como uma espécie de purgação. E eu disse purgação? Segue abaixo um trecho da carta de suicídio que o rapaz deixou. Perceba a que a linguagem desse documento está recheada de forte apelo religioso, cheirando a fundamentalismo.





Recheado de facetas desconcertantes, o crime cometido por Wellington ainda foi associado ao bullying que este sofrera ainda nos tempos de colégio, no qual seu estranho modo de vestir e de ser era motivo de piadas, especialmente por parte das – adivinhem - meninas!


Fora as mil análises psicológicas que possam ser feitas em relação a este caso, a idéia de que o autor estava imbuído de premeditação não escapa a nenhuma delas; o uso de dois revolveres, com vasta munição sobressalente e a carta de suicídio endossam esse raciocínio. Aliás, o massacre na escola municipal de Realengo já está sendo colocado na lista de episódios como o ocorrido em Columbine nos Estados Unidos em abril de 1999 e tantos outros com características semelhantes na Escócia, Alemanha e China.


Os motivos para as demais execuções em massa também estavam atrelados a jovens que matavam por serem vítimas de xenofobia, bullying ou simplesmente terem sidos expulsos do colégio onde estudavam. Burrice seria dizer que este tipo de crime é característica única de jovens que não se adequam ao cruel código vigente entre os adolescentes afinal, “ o dia do carteiro” é uma realidade também entre adultos aparentemente normais no E.U.A. Em um dia qualquer, um ex funcionário que foi humilhado, ridicularizado ou demitido injustamente da empresa em que trabalhava,vai até ela e dispara contra chefes e ex colegas de trabalho, executando-os friamente.


A grande questão não é a idade em que a família, a sociedade, ou colegas de trabalho enviam à alguém uma "carta de rejeição" , mas a maneira como o destinário vai reclamar aos próprios correios, que elas não estavam endereçadas corretamente. . .



p.s: Postman Day ou Dia do Carteiro é a nomenclatura utilizada nos E.U.A para determinar um tipo de chacina cometida por quem decide matar os ex companheiros de trabalho e proprio ex chefe após ter sido demitido injustamente ou ter passado por humilhações no ambiente de trabalho.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

...:Sex n' Violence :...



Que a Avenida Paulista se transformou em uma trincheira de violência contra os homossexuais, o país inteiro já sabe. A polícia do estado de São Paulo já contabilizou sete ataques homofóbicos somente em 2010, sendo o último deles registrado no dia 05 deste mês.
Mas afinal, alguém pode explicar qual a raiz dessa equação comportamental entre sexualidade e intolerância?


- Com a palavra, a cultura!


Não é preciso recorrer a análises antropológicas muito complexas para perceber que a relação entre sexo e agressividade encontra-se incrustada em nossa realidade ,chegando inclusive à combinações muito nocivas para o convívio social.

O laboratório mais clássico para observar tal coisa pode ser um bar na esquina da sua casa, por exemplo, basta que nele estejam reunidos alguns "machos heterossexuais", pavoneando-se mutuamente de experiências íntimas com suas respectivas parceiras (ou não).


Dizem então os “machos alfa”:

- Ah!Eu vou agarrar aquela “gostosa”!


Detalhe que o adjetivo “gostosa” é pronunciado com ênfase, assim como os demais palavrões que em nosso vocabulário substituem a nomenclatura padrão de órgãos genitais femininos, masculinos e o próprio sexo.

Se em nossa linguagem a ligação entre sexo e agressividade se expressa de forma tão clara, percebê-la estampada nas atitudes de alguns indivíduos não é surpresa, pois os termos que utilizamos na comunicação manifestam oralmente opiniões muito fundamentais de nossa cultura.


O sexo está no cotidiano, na mídia e em milhares de outras fontes que nos cercam, mas a sociedade ainda carrega um séqüito muito particular de pagãos travestidos, capazes de tratar qualquer insinuação sexual como algo proibido e que deve ser punido com desaprovação, preconceito e brutalidade.

Muita gente fala de emancipação sexual, mas continuamos batendo nas mesmas teclas e sabe por quê? Por que em nossa sociedade essa questão não está bem resolvida!

Caso estivesse, esse tema não se repetiria em looping e esse coquetel molotov de agressividade e sexo não explodiria nas ruas sob a forma de jovens problemáticos com a própria orientação sexual que descontam seu ódio em quem decide assumir-se apenas por conhecer-se muito bem.

Enquanto a dobradinha sexo e agressividade não sofrer um desencaixe ou pelo menos uma compreensão isolada de suas proporções não se atingirá uma qualidade de convivência quanto as diferentes formas de orientação sexual que hoje existem.

Condenar o impulso destrutivo dos jovens que têm vitimado homossexuais na Avenida Paulista ou em qualquer outro local do planeta é de fato necessário, porém, me parece ainda mais urgente que possamos estimular o nosso poder de dissociação.


Küsse Amigos, até a próxima!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

...: Síndrome de Ursinhos Carinhosos :...


01 de novembro de 2010: Dilma Rousseff vence as eleições para presidente do Brasil.
Não que de fato eu tenha creditado alguma gota de confiança nas pesquisas eleitoreiras mal feitas e bem pagas , nem que tenha cedido a idéia de que fitas crepe causam traumatismos sérios, mas posso afirmar-lhes sem temer: há coisas que me deixam bem mais aturdida do que essa noticia.
Tento calcular quantos litros de café foram sorvidos na madrugada desta segunda - feira por alguns jornalistas para manterem-se acordados enquanto editavam e bordavam suas respectivas reportagens, com doses de elogios e preconceito velado para descrever o feito da petista.

Observar essa comoção ensaiada é o que realmente me assusta: uma mulher é eleita presidente deste país e na maioria das emissoras a coisa é tratada nos moldes de um “Arquivo Confidencial” do Faustão!

Dilma no Arquivo Confidencial: "-Como é ser uma presidente-mulher- do- sexo= feminino?"



Mostram-se fotos, entra um fundo musical dramático e surgem pessoas para citar em depoimentos previsíveis as qualidades do então, como dizer...
... “homenageado”? Perdoem-me, mas é difícil adjetivar essa situação.

Eu fiquei trocando os canais e assistindo cada uma das “homenagens” (vou continuar nessa palavra até encontrar uma pior que seja melhor) na esperança de em um dado momento, alguém resolvesse baixar o volume de “ Ursinhos Carinhosos” que estava sendo transmitido excepcionalmente em horário nobre.



Agora também com alguns jornalistas no elenco...


Estava esperando que algum jornalista tratasse a vitória de Dilma como algo possível, tanto que já estava consumado. Repetir que se tratava da–primeira-representante-do-sexo-feminino-no-mais-alto-cargo-da-política-do-país-formada-por–cromossomos-XX-sendo-portanto-uma-mulher, torrou minha paciência!

Essa supra valorização artificial soou como um deboche, daqueles que fazem às mulheres no trânsito, por exemplo, porém em uma escala muito maquiada para não dar a entender de cara o tamanho do absurdo.
Por sinal, absurdo também é acreditar que pelo fato de uma mulher governar o país as pessoas terão uma mãezona em Brasília, já pensaram na Madrasta da Branca de Neve? Pois bem, mulheres também não são exemplos de seres perfeitos, nem mesmo incapazes: são seres buscando acertar!

Uma madrasta em Brasília?


Mas todo mundo bem sabe: na busca do acerto, o erro pode vir de brinde, mas, por favor, amigos jornalistas, não vão entrar nessa de que aconteceu por se tratar de uma mulher na presidência, fica feio para o diploma que alguns de nós temos.

Não seria coerente expor tal acontecimento como cotidiano, pois não é, mas comentar o resultado dessa eleição como algo "fora do normal", fomenta uma discussão sobre o que a política de modo geral considera " aceitavel": corrupção deve se encaixar nessa lista pelo visto.


Vai dizer agora que o Brasil está como está por que seu padroeiro é Nossa Senhora Aparecida,ou seja,uma mulher?
Se preconceito ganhasse Copa do Mundo, o Brasil nem precisava concorrer.

p.s: Antes que os apressados tirem conclusões sem embasamento deixo claro: o assunto aqui discutido é o preconceito com o qual alguns telejornais trataram a vitória de uma mulher para a presidência de nosso país.

Problemas de interpretação textual? Procure professora de redação, novas leituras ou quem sabe, um novo cerebro!


=D



terça-feira, 19 de outubro de 2010

...: O que é que a caveira tem? :...


Seja pelo humor azedo de umas ou pela figura mística de outras, posso dizer que caveiras sempre me foram um objeto de interesse súbito e magnético. Essa identificação (?) começou cedo e por incrível que pareça, acompanha minha evolução pessoal.
Ainda na alfabetização, quando a dificuldade de ler me limitava ao mundo óbvio, eu ficava hipnotizada frente às aventuras de She-Ra e He-Man. O foco de torcer pelos mocinhos das duas tramas, concorria com a atenção que dava aos ululantes movimentos mandibulares dos personagens Esqueleto e Hordak. Muitas perguntas rondavam minha mente, em especial como criaturas então "mortas" estavam ali: lutando, desmembrando-se e remontando-se a cada episódio?



Hordak e o "amigo" Esqueleto:uma quedinha pelo He-Man?Ui*

Ortopedia e imortalidade só podiam rimar como Camões nos reinos de Ethéria e Eternia.
Depois, quando já compreendia as palavras, me ofereceram uma tal “Turma da Mônica” e foi então que me tornei polidáctila: cada revistinha daquelas passava tanto tempo comigo que eram meu sexto dedo em cada uma das mãos! E por quê? Por que lá estava uma nova caveira para deixar-me embasbacada: Cranicola, a primeira da espécie a ser terrivelmente carismatica!

Cranicola: Uma caveira camarada!

Na adolescência, vivi uma verdadeira overdose deste símbolo atípico: elas estavam ilustrando os cds das bandas que eu ouvia, nos acessórios que usava e até nos lugares que freqüentava. Além disso, o gosto pelo goticismo me aproximou com grande curiosidade do coletivo fúnebre das caveiras: os cemitérios.
Ainda nessa época, um mergulho no oceano de personagens da Marvel Comics, trouxe outras caveiras para povoar minha imaginação.Vieram o Motoqueiro Fantasma, Caveira Vermelha e o Justiceiro, somando-se à uma coleção que por esse tempo eu tinha como completa...

Motoqueiro Fantasma confirma :" - Trabalho de Cabeça -Quente mesmo!"


...Enganei-me osso por osso!
O cinema já tinha tragado para si um mestre na confecção de caveirinhas divertidamente assustadoras e o grande responsável por isso foi Tim Burton que popularizou as formas esqueletóides com a virulência de uma gripe C* que me deixou acamada.

Pena que a nova Alice não curtia caveiras também =/

Recentemente conheci um personagem chamado Many Calavera, cujo desenho é inspirado no Dia de Los Muertos, festa mexicana que homenageia os mortos: nem preciso dizer que foi paixão a primeira vista...


É Calavera mesmo! Eu não escrevi errado =)

Ainda hoje, quando encontram algo meu com uma caveira estampada, me perguntam sobre o por quê deste gosto particular, e a única resposta que me vem é:
“ – O gosto pela ousadia”
No vidro de veneno, no lugar proibido, no rock contestador, no teatral questionamento do “Ser ou não Ser” e até na morte: ousadia e caveiras são um elo inseparável, e mesmo quem não simpatiza com este símbolo há de reconhecer que sobre o cérebro existe um elmo calcificado: há uma caveira dentro de você.

Saudades de escrever por aqui*


=)

sábado, 18 de setembro de 2010

...: Protesto contra MTVilóides :...









"Se RESTART fosse ROCK, caveiras seriam TELETUBBIES! "
By Michelle Medeiros

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

...: Alegria às Avessas :...





Ah! é Carnaval!
Derriére e pares de seios com vida própria, purpurina tomando lugar de roupa, reportagens sobre o tapa sex da passista, enfim, a multiplicidade do inútil que só a folia pode proporcionar.

Durante a festa, confetes e serpentinas tornam-se hábeis artifícios para camuflar um “intensivão”do total estado de decadência da sociedade. Nas ruas ou nos bailes de gala da aristocracia, a busca por uma felicidade imediata, que logo irá verter lágrimas de vazio existencial.

Nem mesmo o brilho das fantasias consegue evitar o encontro dos foliões com os altos índices de violência e criminalidade que sobem assustadoramente durante os quatro dias de diversão (?).
A sensação de liberdade mistura-se ao álcool como um combustível inesgotável, capaz de fazer com que tudo pareça* permitido: roubar, matar, estuprar,etc.

Pior é saber que essas tragédias carnavalescas são misteriosamente encobertas por ALGUNS grupos da imprensa, que se preocupam unicamente em divulgar os bailes da elite e vestem com o manto negro da alienação as atrocidades que são cometidas por toda parte.

Poucos tiram as máscaras e revelam a verdadeira face desta data que marca o calendário do povo brasileiro com o sangue de pessoas inocentes, derramado por razões tão fúteis como a briga entre dois beberrões que acaba em um disparo fatal.

Quem abre a boca para falar em “valorização popular” nesta época do ano o faz por duas únicas razões: por interesses de ordem política que mantenham a massa em um estado de ópio-zumbi para sua melhor manipulação ou por que é desprovido de olfato para não sentir o cheiro podre da “cultura de lixo” do reinado de Momo.

É revoltante ver artistas das comunidades mais pobres desse país sendo usados para promover os produtos midiáticos do carnaval, e depois descartados como roupas “ fora de moda”.
Aliás, a palavra descarte é o sinônimo indissociável da folia, pois para muitos, o amanha não importa e vai todo mundo brincar de super-homem no Bloco da Irresponsabilidade:sexo sem camisinha, uso de drogas,prostituição de menores... Tudo junto e misturado!

Mas lá para a Quarta Feira de Cinzas, ou muito depois dela, um outro bloco passa, o Bloco da Conseqüência: gravidez indesejada, aids, traumas e até morte: ninguém brinca!
É o tradicional bloco do “Eu sozinho.”
A percepção dessas distorções carnavalescas não se trata de uma análise proibitiva, mas uma reflexão muito pessoal para cada ser humano sobre onde de fato reside a alegria.


A dor nunca foi tão colorida...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

...: O Cônsul do Racismo :...



Se o Diabo fosse ouvido em OFF sobre os terremotos que devastaram o Haiti ele fatalmente reproduziria de forma siamesa o absurdo discurso de George Antoine, cônsul geral do Haiti no Brasil.

Cada palavra captada por aquele sutil microfone de lapela, ligado minutos antes da entrevista do cônsul para uma emissora de tv, chafurdou no mais baixo preconceito e exprimiu a exata proporção da iniqüidade.

Caso não estivessem sob as definições da gramática normativa, as frases a seguir, ditas por George Antoine, abandonariam a classe de orações (pelo fato de conterem verbos), para a classe de aberrações (pela total ausência de humanidade).

Linguisticamente falando, a comunicação é composta por um sistema de signos que nos interpretam para os demais através do que dizemos, e da forma como dizemos: implícita ou explicitamente.

Mas não é necessário ser comunicólogo para conhecer esse diplomata que chocou entidades de repúdio à discriminação racial em nosso pais e no mundo: basta ler suas esdrúxulas declarações sobre povo haitiano.
Disse ele:
“ A desgraça de lá ta sendo uma boa pra gente aqui ficar conhecido(...)”
Enquanto milhares de haitianos literalmente gritam para o resto do mundo por atenção e socorro, o cônsul vê na desgraça desse povo uma oportunidade de voltar os holofotes para si.Atitude extremamente presumível, pois ninguém jamais ouviu falar sobre os feitos do cônsul quanto ao Haiti e olha que o bisavô dele Philippe Guerrier foi presidente daquele país.
E disse mais:
“ Aquele povo africano acho que de tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo”
Espanta-me concederem o titulo de cônsul, de diplomata, a uma pessoa que não tem o mínimo respeito à cultura de seu país de origem e ainda se mostra um completo ignorante quanto as manifestações étnico-religiosas do povo africano. Como ele próprio disse: “Eu não sei o que é aquilo”! Sim George, nós percebemos que o senhor não faz a mínima idéia!

Contudo, a mais abissal das frases do cônsul no quesito estupidez, foi a seguinte:
“O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano, ta fu*%$# !”
Pra começar que a maldição que o cônsul vê no povo africano é um pensamento extremamente xenofobico, próprio de episódios reprováveis da nossa historia como a escravidão negra em nosso país, o apartheid nos e.u.a, e etc, incompatível com os ideais igualitários que o posto dele exige.
E quanto ao trecho: “todo lugar que tem africano, ta fu*%$#", eu tenho uma declaração bombástica ao cônsul: Todo lugar tem africanos mesmo, sr George! No futebol, na musica e ate na Casa Branca!
A única diferença é que nem todos estão f*&¨%$ , nem os haitianos, sabe por quê?
Por que os prédios e casas derrubados pelo terremoto podem ser reconstruídos com tempo, mas a sua credibilidade, não.

E viva Zilda Arns!


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

...: Reality SHIT:Quando o mal cheiro vem da Tv :...



O fim do ano chega e com ele todas as porcarias da televisão aberta para deixar a sua noite de Natal e Reveillon uma verdadeira versão tupiniquim do Halloween: “Xuxa Especial de Natal”, “Esqueceram de mim” pela 55547598 vez ,“ Show da virada”...

... Haja anti ácido para essa azia!

Mas não pode vomitar agora, por que o prato principal ainda está a caminho e vem sempre no mesmo sabor azedo da repetição: Big Brother Brasil, 10° edição.
Por que outro?Por que a mesmice não exige a análise do organismo que ela emburrece, sendo digerida sem qualquer contestação.

Diferente do Brasil, congelado em um modelo hermético e previsível, outros paises ao redor do mundo que também consomem os reality shows, conseguiram explorar essa atração televisiva em vertentes bem mais complexas.

Quer um exemplo? A Mtv americana decidiu gravar um reality show com um dj da cena de Nova York que a procurou com o objetivo de ajudar outras pessoas a se livrarem das drogas assim como ele o fez.

Porém, durante as gravações, mais especificamente no mês de agosto deste ano, o mesmo dj foi encontrado morto por overdose de remédios e cocaina. Dai criou-se o dilema: exibir ou não a atração? A Mtv exibiu! Dividiu opiniões, suscitou debates, enfim, ousou e polemizou!

Esse é um dado simples para que possam observar a criatividade rasteira de um Big Brother Brasil, onde a “polêmica” ainda é a orientação sexual de uma pessoa, a tatuagem de outra, o modo como uma terceira se veste, em suma: discussões medíocres que caminham para o não menos óbvio, lugar comum.

Alguns podem dizer que exibir um reality show sobre uma pessoa fracassada em sua reabilitação como ex drogado é pura falta de ética. Então eu volto ao nosso caso clássico entre Big Brothers, A fazenda e afins: o que é ético na tv brasileira?

Exibir mulheres seminuas como produto de um marketing pornô disfarçado?Ridicularizar pessoas por sua baixa escolaridade como no caso da ex bbb incapaz de cantar os versos de We Are The World?Ou seria ético chamar de artista pessoas que saracoteiam o traseiro frente a uma câmera ginecológica em tempo real?

Não há ética no capitalismo, muito menos nos realitys shows que são filhos legítimos de sua prole infindável.

O único interesse de um programa desse nível em nosso pais é estagnar ainda mais a compreensão já comprometida de alguns brasileiros em relação a sua própria realidade. É travar qualquer possibilidade de reação e questionamento, e isso é intrínseco ao clichê ignorante desses programas.

Fala-se em “atração interativa”, onde o espectador participa e decide o final: quanta tolice!O modelo dos reality shows é meramente reativo: as decisões são tomadas primeiro lá dentro e só depois repassadas ao público para votação. Isso sem citar as mil e uma edições e montagens que ludibriam o espectador e lhe fazem acreditar que este ou aquele participante seja ora mocinha ora bandido.

Ainda dizem que a espécie humana é naturalmente voyeur, que gosta de espiar a vida alheia, etc, mas isso nem é voyerismo! O voyerismo consiste em ver sem ser visto, e todo mundo ali sabe que esta sendo visto.

Dentre tantas outras limitações e mentiras, os reality shows brasileiros incorporam o mais baixo sentido de uma atração enlatada do U.S.A: mais uma fonte de botulismo para a uma sociedade que já está doente.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

...: O Vestido da Intolerância :...




Jessica Rabbit, Mônica e Geisy Arruda.
O que as três têm em comum?Um vestido vermelho e uma história para contar.

Jéssica Rabbit é a ruiva fatal que enlouquece humanos e animações no filme “Uma Cilada para Roger Rabitt”, já Mônica tornou-se uma das mais famosas personagens do cartunista brasileiro Maurício de Souza e Geizy Arruda trata-se da universitária que chegou a ser expulsa (e recentemente readimitida) de sua faculdade, em virtude do vestido vermelho que usou para assistir às aulas.

O fim dessa última história poderia vir agora mesmo caso as tramas do vestido de Geisy não escondessem (ou revelassem) bem mais que algumas partes de seu próprio corpo. O que se viu nos vídeos gravados por câmeras de celular dentro da Uniban enquanto Geisy atravessa os corredores da instituição foi ainda maior do que uma confusão pura e simples.

A cena sinceramente me remeteu a um comportamento primitivo, típico entre os homens de Neandertal, grunindo famintos frente a uma presa, sem a capacidade de controlar seus instintos animalescos diante daquilo que lhe desperta atenção ou curiosidade.

Comparar as reações dos homens de Neandertal à atitude dos alunos que intimidaram com câmeras e xingamentos a jovem paulista, é perceber que nossa sociedade “evolui” como um paquiderme bêbado: desprovida de sentido e esbarrando na sua própria natureza.

Creio que se o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) fosse um cálculo para medir o quanto pudemos avançar na convivência com o outro, iríamos comprovar que estamos entrando em estado de inércia.

A intolerância que se vive hoje, não se esconde mais no gueto, não está em uma tribo ou facção que sai às escuras para matar minorias, está em uma realidade tão iluminada e próxima, que muita gente fecha os olhos sob a desculpa de foto sensibilidade.

As ruas, as escolas e agora as faculdades estão virando verdadeiros abatedouros da integridade humana e do respeito pelas diferenças. Se alguém é feio, é prontamente hostilizado e vítima de bullying, se muito bonito, logo recebe adjetivos depreciativos para enlamear sua vaidade, quando evangélico é criticado por sua fé, se inteligente, rechaçado em função de seu saber, etc...
Enfim, onde vamos parar?

Vamos então reeditar as idéias de Hitler, vamos abolir a diversidade, vamos viver em um mundo onde o que tem vez é o pensamento da potência vigente, esteja ela em uma pessoa, em um povo ou em uma religião?

Caso não nos conscientizemos que a questão da intolerância é latente a inúmeros setores da sociedade, vamos acabar incorporando um Corredor Polonês onde seremos cúmplices de um covarde assassinato:o assassinato da liberdade.

p.s: Apesar da explícita violência cometida pelos alunos e da injustificável incoerência com que a UNIBAN agiu contra essa universitária, minha visão sobre a personalidade de Geisy Arruda ainda oscila muito, muito....

Seria ela a completa vítima e ocasional algoz de seu próprio drama?
Ou seria apenas mais uma auto candidata à escandalo, em busca de fama fácil e convites para posar em revistas masculinas?

-Tudo bem Michelle... vamos desligar as análises por hora...




sexta-feira, 23 de outubro de 2009

...: Voyeurs da Web :...


O desejo de espionar a vida alheia divide os seres humanos em dois grupos:

O primeiro responde por uma minoria puritana que considera essa prática repugnante e abominável para nossa sociedade. Já o segundo, trata-se de uma maioria avassaladora cuja habilidade em espreitar o outro às escondidas faz da internet um verdadeiro Kama-Sutra do voyeurismo.

É inegável que as características de acessibilidade e interação promovidas pelo ciberespaço foram um verdadeiro orgasmo para quem busca satisfazer-se sexualmente apenas pela observação anônima.

Há um encaixe quase perfeito entre olhos orgânicos e digitais: as retinas que antes se congelavam no binóculo ao tentar flagrar a vizinha atraente, hoje fazem o mesmo diante do computador.

O que de fato muda para o voyeur da atualidade é o processo de fruição do seu objeto de desejo, ou seja, ele não vai mais precisar dependurar-se em uma árvore para ter o melhor ângulo daquela mulher incrível, vai mudar a posição de uma web cam .

Por que a web cam? Porque como toda criatura moderna e atribulada, o voyeur tem mil outras obrigações e não pode perder tanto tempo esperando a hora exata da vizinha posicionar-se na sacada.

Não há mais espera: há imediatismo! E para este último, milhões de salas de bate papo onde é possível assistir a todo tipo de estimulação sexual (e o próprio sexo) através de um monitor afrodisíaco.

Nesse processo a identidade de quem observa prossegue em segredo, mantendo o arquétipo do voyeur clássico, porém, tamanha é a liberdade nestes espaços imateriais que os papéis podem se inverter: o voyeur passa a exibir-se e suas “vitimas” assumem sua postura.

A mídia e a própria web sabem que parafilias dessa natureza são extremamente lucrativas e pulverizam seus apelos: criam sites que exibem desde vídeos amadores aos momentos mais picantes do último reality show:

-Vá lá e dê uma espiadinha!

Pedro Bial também sabe o quanto isso vende!

Não é a toa que o prazer em bisbilhotar na surdina seja o grande trunfo de redes sociais como o Orkut, onde também muita gente se omite em um perfil falso e navega secretamente no universo de muitos.

Mas ainda assim imagino que o voyeur ou voyeuse (versão feminina do voyeur) do passado não se deslumbrariam com toda essa tecnologia, pois o verdadeiro fascínio dessa prática não estava no prazer automático, mas na sedução onisciente.





P.S: Parafilia é um padrão de comportamento sexual no qual, em geral, a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula, mas em alguma outra atividade. São considerados também parafilias os padrões de comportamento em que o desvio se dá não no ato, mas no objeto do desejo sexual. exemplo: voyeurismo,fetichismo,etc

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

...: Não é paz, é medo :...



Na última sexta feira foi anunciado mundialmente o vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2009: o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
A noticia foi se desmanchando no televisor na proporção que uma música da banda O Rappa invadia meu cérebro, como se quisesse gritar o próprio título:

-A paz que eu não quero!

Segundo o comitê que decide pelo vencedor desta premiação, Obama foi escolhido em virtude de seus apelos ao desarmamento nuclear e pela paz mundial, uma convicção que rodou o mundo entre a piada, a esperança e a indignação.

Eis uma nova forma de velar o racismo latente, de maquiar a guerra diária, de submeter distúrbios globais à terapia ideológica de uma só pessoa: premiando o primeiro presidente negro norte americano com o condão de pacifista.

Para os líderes de movimentos nas áreas da Palestina e Afeganistão, o presidente americano não foi capaz de adotar nenhuma nova medida, não executou quaisquer mudança de estratégia e quiçá conseguiu tornar o epicentro dos maiores conflitos mundiais um local estável.
-Pois paz sem voz, não é paz, é medo!

E esse último sentimento se infiltra em cada criatura que tenta sobreviver, a homens-bomba, atentados, armas de destruição em massa e é claro, a uma mentira com cara de Guerra Fria e sensação térmica de sangue quente escorrendo bem diante de seus olhos desacreditados.

As folhas de louro que coroam os aspirantes a “Gandhis da Modernidade”, apodrecem na velocidade de uma carne ao ar livre, pois não possuem nenhuma atitude palpável que possa conservá-las quando em contato com a realidade.

Não se constrói coisa alguma sem ação, sem prática, sem toque e envolvimento: a paz só deixará de ser a escara deste planeta, quando alguém resolver tirar todos os pseudo curativos de cima, e fazer uma desinfecção profunda.

Enquanto isso não acontece, vão vir muitos outros prêmios à inatividade trajados de realização e outros messias vestindo aquele conjuntinho básico de gravata e mediocridade, para tentar nos convencer de que a paz está à caminho ......

No fim do caminho.

O grito que ecoa do Oriente pelo fim das guerras, dos conflitos e da violência se transforma em um único lamento quando se encontra com as vozes do povo ocidental.Nós também clamamos pelo fim dos homicídios, das chacinas, dos assaltos e todo resto, escondidos:

-As grades do condomínio são prá trazer proteção, mas também trazem a dúvida, se é você que tá nessa prisão.
Até mesmo Obama tem na sua própria Casa Branca, uma prisão de segurança máxima, o que significa que ele também não possui a paz, e que esse prêmio é a maior incongruencia que existe, pois só podemos doar aquilo que de alguma forma temos conosco.

Não tenho a força opinativa de um membro do prêmio Nobel, mas para mim Obama não fez por merecer.Também não vou me juntar ao grupo que disse ver no presidente a postura de um pacificador nato ...

..... é pela Paz que eu não quero seguir admitindo.



p.s: Frases em negrito/itálico extraidas da musica “ Minha Alma ( A paz que eu não quero), da banda O Rappa.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

...: Pedro do Chip e outras Catarses :...



O que "Édipo Rei" e o protagonista do fenômeno youtubiano “Pedro me dá meu chip” tem em comum?

Quem respondeu: “uma catarse famosa”, acertou em cheio.

Para Aristóteles o fenômeno da catarse representa a purificação das almas através de uma descarga emocional, provocada por um drama.

Em outras palavras: para viver a catarse é preciso que a criatura submeta-se a uma verdadeira explosão nervosa, onde cuspa seus demônios, sem necessariamente passar por uma sessão do descarrego da Universal.

Naturalmente que ao conceber essa idéia, Aristóteles não imaginava até onde iríamos ao encarnar heróis trágicos do cotidiano, nem mesmo poderia prever que eles se tornariam motivo de pirraça na internet.

Cenas como aquela da moça aos berros, xingando e grunhindo madrugada afora na porta do ex são muito comuns, a questão é que câmeras de bares, boates e até do Google Earth, tem mais o que fazer do que ficar salvando isso com a exclusividade de um Nelson Rubens digital.

Qualquer um de nós está sujeito ao descontrole, como também esta sujeito a ter seu chilique assistido por uma multidão de desconhecidos, sem lucrar um centavo com isso:uma pena.Sim por que a desgraça humana vende como pão quente! Basta uma rápida visita a literatura universal para que se perceba isso.


Obras como a aristotélica "Édipo Rei", na qual o filho mata o pai, casa com a mãe, fica cego e se exila ou a shakesperiana, "Romeu e Julieta", onde o suicídio surge como solução para o insolucionável, são célebres, independente das nacionalidades ou culturas.


Nós vivemos em uma sociedade repleta de regras e normas, que orientam nossa conduta, que por vezes nos transformam em ciborgues de nossas próprias atitudes, calando nossos gritos e silenciando nossas lágrimas para que não incomodem ou invadam o próximo.


De repente alguém faz a pior escolha, assim como o herói trágico, passando da felicidade para a infelicidade num estalar de dedos, e quando quase tudo começa ruir na sua condição de homem regrado e psicologicamente equilibrado, uma catarse eclode na proporção de uma bomba nuclear....

- E o BUMMM! Que segue, é sempre BOM!

Catarse e Catástrofe são da mesma família dos grandes impactos: ambas são veneno e antídoto para perturbação humana.

Ciborgue: Organismo cibernetico,dotado de partes orgânicas e mecânicas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

...: Paradigma da Substituição :...


No próximo dia 28 de outubro, cinemas do mundo todo vão estar lotados para a exibição de “This is It”. O filme da Warner Bros trará uma compilação dos últimos momentos de Michael Jackson nos preparativos da turnê que marcaria sua volta aos palcos, caso não fosse surpreendido pela morte.

Em Londres, os fãs já compraram cerca de 30 mil ingressos somente no primeiro dia de vendas, superando estréias com bilheterias milionárias como “ Senhor dos Anéis” e “ Harry Potter”.

Mas o que leva essa legião de pessoas a enfrentar filas e gastar fortunas para rever momentos inéditos do astro pop? Respostas diretas darão conta deste fenômeno como fruto do apelo midiático puro e simples, que faz jorrar cascatas de ouro à custa de qualquer celebridade.

Ou mesmo dirão que faltam valores às pessoas, e por isso muitos se entregam fácil a essas comoções marketeiras, como se buscassem preencher uma lacuna vazia em suas entranhas.

Contudo, há um outro aspecto relevante nessas manifestações públicas de fanatismo: o paradigma da substituição. Ou seja: enquanto para alguns, esse filme é a prova de que Michael é incomparável em sua fórmula, para outros, trata-se da cartada final de um pop star e seus produtores, que abre espaço ao seguinte questionamento:

Quem será o próximo?
Ou ainda: Haverá o próximo?


Enquanto isso vamos ouvindo um: “ -Ninguém é insubstituível” aqui ou acolá, só para garantir uma brecha aos que desejam faturar alto lançando um ídolo pré-fabricado na pressão alucinante do mercado fonográfico.

Mas esse tipo de comentário trai a própria gênese de uma nova estrela: os ídolos não surgem para substituir, surgem para revolucionar. Não adianta repaginar o conhecido, fazer flash backs daquilo que já se tem em excesso: é preciso ser o que nenhum outro ícone já foi ou é na atualidade.

Lembro que até um tempo atrás, muitas pessoas estavam encantadas com uma garotinha chamada Britney Spears e ousaram nomeá-la como a “Nova Madonna”, fato que rendeu até a capa da revista Rolling Stones à moça.

Porém os dias se passaram e com eles a sanidade: Britney agrediu papparazzi, perdeu a guarda dos filhos, teve um surto psicótico e até ficou careca.

Hoje, caminhando bem aquém do sucesso que seria esperado da trajetória de uma material girl, ela amarga posições nas paradas internacionais, ficando atrás de cantoras como Katy Perry, Lady Gaga, e da invicta Madonna.

Então não venhamos com essa de que “ninguém é insubstituível”, especialmente no universo artístico: não há ainda como exumar um Chucky Berry para o rock nem uma Marilyn Monroe para o cinema, são eternos e incorruptíveis na sua originalidade.
Todo o resto, com raríssimas exceções, são cópias paridas de uma máquina xérox, genéricos sem efeito ou pior: placebos de criatividade, que só vão sendo engolidos por gente sem senso crítico, com doses cavalares de escândalos.

Comparações no universo do show biss são crimes inevitáveis: alguém aponta sua arma de convicção e dispara sem perceber idéias que tentam inutilmente argumentar sobre a potência de um artista “moderninho” sobre a de outro naturalmente inventivo.

Mas esse é o tipo de tiro que sempre sai pela culatra, pois não tem pólvora suficiente para superar as trincheiras étnicas ou sociais existentes e transformar-se em sucesso.Já o artista nato, como Michael, veio de berço com munição pesada: por que ele sabia que o campo de batalha não era o palco, mas sim a febre de sua bala de talento ricocheteando ao redor do mundo.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

...: Silogismo da Moda Democrática :...



Foi realizado essa semana na capital, o maior evento de moda de todo o Maranhão, o São Luís Fashion 2009.
Idealizado e produzido pela consultora de moda, Rafaella Albuquerque e produtor Edilson Ferreira, o evento teve como principal proposta mostrar as tendências e os lançamentos das marcas nacionais e internacionais para a Primavera/Verão 2010.

Até aí, nenhum problema, pelo contrário, sou uma pessoa que admira o universo da moda através do tempo: desde sua influencia criativa na expressão humana, nos movimentos musicais que marcaram época e até na postura ativista das coleções de alguns estilistas.

A questão que me preocupa foi ter visto algumas pessoas vendendo esse evento como
“um marco para a democratização da moda em São Luís”, assim, sem nem pensar no conceito que implica o termo democracia.

Como um evento de moda e estilo como o São Luis Fashion 2009 pode ser categorizado como “ democrático” se ele sequer coloca a venda ingressos para que pessoas de todas as idades,raças ou níveis sociais possam fruir da moda de forma igualitária?

Para quem não sabe, os três dias de apresentação das coleções foram abertos somente para convidados (proprietários e clientes das lojas que apresentaram seus produtos, patrocinadores, etc) e alguns segmentos da imprensa local.

O São Paulo Fashion Week, maior referência desse segmento aqui no Brasil tem uma cota para o acesso do público em geral à algumas seções do evento.Lembro que era possível ate comprar os ingressos pelo site TicketMaster, na internet ou adquiri-los antecipadamente.

Eu então pergunto: Por que o São Luís Fashion não segue o exemplo? Claro que em menor proporção, em virtude dos parcos investimentos nesse setor local, o qual ainda encontra-se a disposição de uma minoria elitista.

Daí pode vir alguém dizer que não há como disponibilizar ingressos para o público por que espaço precisa ser maior e não há patrocínio suficiente. Não mesmo? Então vamos a um lembrete breve: o Governo do Estado do Maranhão patrocinou o São Luis Fashion 2009, preciso dizer mais?

Impedir que um evento dessa natureza se realize seria burrice, por que toda essa estrutura gera renda: contrata modelos locais, evidencia o trabalho dos estilistas da terra e contribui para que órgãos como o Senai e a Fiema possam exibir o nosso potencial para a moda além fronteira.

O ponto deste texto é: se essa proposta recolhe-se a um evento fechado, sem participação pública apesar do Governo do Estado patrociná-lo, então vamos tirar agora o rótulo democrático dessa historia.

Basta pensar na forma que se concebe a moda no nosso século, que a proposta desse evento vai abaixo: o estilo, a diversidade cultural e a expressão da singularidade em vestir e criar faz um caminho inverso hoje.

Não é o estilista que joga as tendências nas passarelas e depois elas se multiplicam nas ruas e vitrines, é o contrario! As pessoas de todas as partes do mundo, independente de sua raça ou posição social se vestem e comunicam idéias e sentimentos através de suas roupas e isso vira material de estudo para o estilista criar suas coleções.

Portanto, está mais do que claro que se o São Luís Fashion não valoriza quem também faz a moda, ou seja, nós,meros mortais que contribuímos com nossas identidades para a concepção de grandes designers, então seus realizadores estão completamente “out” do que significa fazer moda em um sentido global.

Só para não esquecer:

Moda é democracia
Democracia não existe no São Luís Fashion
Logo, o São Luís Fashion, não é moda.