
Na última sexta feira foi anunciado mundialmente o vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2009: o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
A noticia foi se desmanchando no televisor na proporção que uma música da banda O Rappa invadia meu cérebro, como se quisesse gritar o próprio título:
-A paz que eu não quero!
Segundo o comitê que decide pelo vencedor desta premiação, Obama foi escolhido em virtude de seus apelos ao desarmamento nuclear e pela paz mundial, uma convicção que rodou o mundo entre a piada, a esperança e a indignação.
Eis uma nova forma de velar o racismo latente, de maquiar a guerra diária, de submeter distúrbios globais à terapia ideológica de uma só pessoa: premiando o primeiro presidente negro norte americano com o condão de pacifista.
Para os líderes de movimentos nas áreas da Palestina e Afeganistão, o presidente americano não foi capaz de adotar nenhuma nova medida, não executou quaisquer mudança de estratégia e quiçá conseguiu tornar o epicentro dos maiores conflitos mundiais um local estável.
-Pois paz sem voz, não é paz, é medo!
E esse último sentimento se infiltra em cada criatura que tenta sobreviver, a homens-bomba, atentados, armas de destruição em massa e é claro, a uma mentira com cara de Guerra Fria e sensação térmica de sangue quente escorrendo bem diante de seus olhos desacreditados.
As folhas de louro que coroam os aspirantes a “Gandhis da Modernidade”, apodrecem na velocidade de uma carne ao ar livre, pois não possuem nenhuma atitude palpável que possa conservá-las quando em contato com a realidade.
Não se constrói coisa alguma sem ação, sem prática, sem toque e envolvimento: a paz só deixará de ser a escara deste planeta, quando alguém resolver tirar todos os pseudo curativos de cima, e fazer uma desinfecção profunda.
Enquanto isso não acontece, vão vir muitos outros prêmios à inatividade trajados de realização e outros messias vestindo aquele conjuntinho básico de gravata e mediocridade, para tentar nos convencer de que a paz está à caminho ......
No fim do caminho.
O grito que ecoa do Oriente pelo fim das guerras, dos conflitos e da violência se transforma em um único lamento quando se encontra com as vozes do povo ocidental.Nós também clamamos pelo fim dos homicídios, das chacinas, dos assaltos e todo resto, escondidos:
-As grades do condomínio são prá trazer proteção, mas também trazem a dúvida, se é você que tá nessa prisão.
Até mesmo Obama tem na sua própria Casa Branca, uma prisão de segurança máxima, o que significa que ele também não possui a paz, e que esse prêmio é a maior incongruencia que existe, pois só podemos doar aquilo que de alguma forma temos conosco.
Não tenho a força opinativa de um membro do prêmio Nobel, mas para mim Obama não fez por merecer.Também não vou me juntar ao grupo que disse ver no presidente a postura de um pacificador nato ...
..... é pela Paz que eu não quero seguir admitindo.
p.s: Frases em negrito/itálico extraidas da musica “ Minha Alma ( A paz que eu não quero), da banda O Rappa.